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Flausino Esteves Correia Torres foi um historiador e activista político português, nascido em Almeida em 1906. Faleceu em 1974 pouco depois do 25 de Abril, em Tondela.
Flausino Torres frequentou o ensino primário e secundário em Viseu. Licenciou-se em História na Universidade de Coimbra em 1932. No período que frequentou a Universidade iniciou intensa actividade política. Foi membro da Maçonaria até à sua proibição em 1935. Foi perseguido pela PIDE, acusado de ser comunista, e preso por um curto período mas tendo sido sujeito na prisão do Aljube, a um tratamento muito violento. A perseguição política a que foi sujeito fez-lhe a vida muito difícil tendo sido impossibilitado de leccionar na Universidade e, nos primeiros anos, mesmo no ensino secundário.
Após o final do curso iniciou a colaboração como professor de História e Filosofia num colégio particular em Coimbra. Em 1937 decide deslocar-se para Lisboa e trabalhar como professor do ensino secundário. Iniciou, então uma ligação com os meios intelectuais de oposição ao regime onde inicia a colaboração com Bento de Jesus Caraça, quer na Universidade Popular Portuguesa, quer na Biblioteca Cosmos.
No decénio de 1940 entrou para o PCP, o MUD e o MUNAF
.O trabalho científico de Flausino Torres e a divulgação realizada através dos livros publicados na Biblioteca Cosmos, granjearam-lhe grande prestígio entre a oposição ao regime do Estado Novo.
Em 1947 sai de Lisboa e volta a Tondela onde se dedica à agricultura em terras recentemente herdadas. A morte de Bento de Jesus Caraça passado pouco tempo, e o fim da Biblioteca Cosmos, sem ter tido oportunidade de publicar tudo o que tinha planeado, pode ter contribuído para o seu afastamento dos meios intelectuais de Lisboa. Comulativamente lecciona no Colégio Tomás Ribeiro, embora a sua ideologia não estivesse próxima do enquadramento pedagógico e ideológico do colégio. Aliás acabou por receber em 1961 uma carta de despedimento, aparentemente também por influência da PIDE.
Nos anos 60 e na sequência da contínua perseguição pela PIDE e da prisão de dois dos seus filhos (Marcela e Cláudio) decide fugir para Argel. Não se adapta ao ambiente da oposição portuguesa em Argel e, com apoio do PCP, instala-se na Checoslováquia e leciona História de Portugal numa universidade em Praga. Escreve aí o seu livro publicado mais tarde em Portugal, Portugal, uma Perspectiva da sua História.
A invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia e a posição do PCP de apoio a essa invasão, levou-o a um confronto muito profundo com o partido, pedindo formalmente a demissão do Secretário Geral, Álvaro Cunhal, culminando com a sua expulsão, tendo voltado a Portugal, aproveitando um certo aliviar da repressão na sequência da nomeação de Marcelo Caetano para Primeiro Ministro. Volta para a sua casa na Beira onde se mantém até ao 25 de Abril. a que assiste, falecendo pouco tempo depois.
Flausino Torres, porém nunca abandonou uma perspectiva marxista e continuou a considerar-se comunista apesar de ter sido expulso do PCP. Afirma José Neves: depois do 25 de Abril, antes mesmo da sua morte, recusou-se a entrar para o PS alegando que o seu partido continuava a ser o mesmo de sempre….
O espólio de Flausino Torres está, desde Março de 2008 no Centro de Documentação 25 de Abril.
Na Biblioteca Cosmos, Flausino Torres publicou
O segundo volume da obra Religiões Primitivas embora anunciado nunca chegou a ser publicado.
Para além da sua colaboração com a Biblioteca Cosmos, Flausino Torres publicou alguns livros relevantes:
Fontes de informação:
GSA